Isolamento Social: A Orca Lolita e a Verdadeira Solidão

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Sozinha há mais de 30 anos, em cativeiro há quase 50: a história da orca mais solitária do mundo nos mostra o real significado do termo isolamento social.

Isolamento social é uma expressão que me incomoda.

Até na semana passada, quando a ONG Dolphin Project divulgou esta imagem da orca Lolita sozinha no tanque mais retrógrado dos Estados Unidos, eu não tinha identificado se o termo me perturbava como revisora – minha profissão – ou como ativista. Mas o que é o português mais adequado perto da solidão dela.

Foto: ONG Dolphin Project

Lolita foi capturada da natureza aos três anos, na Costa da Islândia, na década de 1970, e é mantida em cativeiro há quase 50 em um parque marinho de Miami, onde é obrigada a fazer truques em troca de comida.

Está sozinha desde que Hugo, seu companheiro de tanque, morreu em 1980, aos 15 anos, de aneurisma cerebral, depois de repetidos danos autoinfligidos – ele batia a cabeça contra as paredes de concreto após o término dos shows.

Todos que temos o privilégio de ter um teto estamos na nossa casa.

Com nossos pais, filhos, animais, plantas.

Podemos ligar, mandar um whats, ver quem a gente ama por vídeo quando quiser.

E, seguindo o processo evolutivo que o universo nos impôs, estamos assim por opção.

Agora, ela.

Ela não pode ligar para os pais – só para constar, a mãe de Lolita ainda está viva e livre, periodicamente avistada na região onde a filha foi sequestrada.

Ela não pode mandar mensagem para os amigos.

Nem na casa dela ela está.

E o pior: não por escolha dela.

Não estamos socialmente isolados. Estamos fisicamente distantes.

E o que é uma #quarentena de dias para promover o bem perto de 50 anos de solidão causada pelo mal.

Texto relacionado: NOTA D: Brasil Cai de Posição no Índice de Proteção Animal

Você conhecia a triste história de isolamento imposto na vida da orca Lolita? Conta pra gente aqui embaixo!

Carol Zerbato

Escrito por Carol Zerbato

Publicitária e ativista pelos direitos dos animais, Carol Zerbato já trabalhou com televisão e comunicação corporativa; foi locutora e repórter; e atuou como redatora e revisora. É criadora da Cachorra Carol - histórias em quadrinhos que retratam as relações humanos através do olhar de uma vira-lata, a fim de conscientizar a sociedade sobre a causa animal - e mãe de três filhos: Rachel, a mais velha, uma labralata; Deloris, a do meio, uma gata vira-lata adotada já adulta; e Ben, o caçula, um humano.

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